Textos

SOBREVIVÊNCIA
"Quando a noite vem e a escuridão nos cerca como leões ferozes e famintos, nos sentimos como um pequeno coelho acoado, refém do medo, vítima do desespero, presa fácil do implacável predador da alma. Sem perceber os nossos músculos e a nossa motivação recebem uma carga de força que brota do centro do ser, movido pela necessidade de sobreviver, levando-nos a pensar, olhar a volta, descobrir saídas e agir tão rápido que nem o mais rápido predador consiga acompanhar o ritmo da sobrevivência."



ILUSÃO

No prelúdio as ilusões iludem ilusoriamente os iludidos ilusionistas, na ilusória ilusão de iludibriar ludicamente no interlúdio, eludindo da alusão de iludir, eu ludo no poslúdio.



É o mesmo que:



O ESPETÁCULO 

Antes do show o espetáculo engana com ficção os espectadores artistas, na irreal mentira de convencer brincando no meio do espetáculo, fugindo da menção de fantasiar, eu brinco no final da apresentação.




O SOM DA CHUVA
Como a chuva sobre a terra seca, minhas lágrimas regam a falta que sinto de você. A lama que se faz é o resultado da falta de expressão do amor mudo que durante anos senti mas não deixei gritar, nem conversar, nem sussurrar ao teu ouvido. Hoje ao meu ouvido, eu gostaria que você se irritasse, mas não há gritos, nem conversa, nem sussurro. Hoje o que me resta é o som da chuva na janela da casa fazia.



TUDO PASSA

"Enquanto o dia não vem a noite se desenrola em encontros e desencontros, sorrisos e lágrimas, paz e guerra, morte ou vida, não importa, porque alguma coisa estará acontecendo com alguém e amanhã serei eu. Seja bom ou ruim, tudo passa, e logo os primeiros raios solares sairão, trazendo consigo a esperança de um novo dia que se esvairá à noite quando as primeiras lâmpadas forem acesas. Seja bom ou ruim, tudo passa. O que permanece é a certeza de que durante a noite ou durante o dia eu serei o mesmo."



A LUTA DA AMIZADE

"Respirar é a luta constante do corpo com a natureza. Enquanto arrancamos um pouco de oxigênio ela nos toma o precioso tempo de vida. Quando nascemos iniciamos essa guerra épica. Nos momentos mais difíceis é que a luta fica mais intensa, respiramos fundo, ficamos ofegantes, sugamos o ar com tanta força como se fôssemos deixar o adversário mais fraco, então vencemos a batalha. Achamos que somos invencíveis. O tempo passa e ficamos fracos, até que a respiração fica mais lenta. Respirando mais devagar temos tempo de pensar em tudo o que aconteceu. Vemos que ao longo da vida nos ajudamos, enquanto fazíamos a história acontecer a natureza nos nutria de oxigênio. A morte é a conclusão de que não éramos inimigos, mas amigos inseparáveis. Então paramos de lutar, sorrimos e respiramos pela última vez, não como luta, mas como um abraço de gratidão."




MINHA INSPIRAÇÃO

Pensei em escrever algo que tocasse o coração, mas o cansaço bloqueou minha criatividade. Então me peguei lembrando da minha infância, como eu viajava nos meus sonhos e me divertia fazendo planos para o futuro. Pronto, é isso! A palavra chave é diversão. A partir desse momento as idéias começaram a fluir como sementes que germinam no solo fértil depois de chuva da manhã. O solo é a nossa cabeça, a criatividade é a semente e a chuva é a diversão. Divirta-se em tudo que você fizer, e a vida será mais criativa e prazerosa . Eu estou me divertindo escrevendo esse texto.





Vontade
"Eu quero um par de meias azuis com corações rosas", "eu quero um fogão preto", "eu quero uma motocicleta vespa", "eu quero uma casa pequena". Os pedidos podem parecer diferentes, mas existe uma semelhança entre eles, é a vontade. Essa palavra rege o mundo, ela transforma sonhos em realidade, palavras em ações, projetos em concretizações, indivíduos em personalidades, idéias em realizações, enfim, o abstrato em concreto. Posso dizer que vontade é a célula que dá origem ao corpo da satisfação humana, por isso, tenha vontade de viajar, estudar, trabalhar, escrever, abraçar, namorar, comprar, comer, jogar, orar, sorrir, cantar, ver, sentir, e tudo que faça a sua vida valer a pena, sem importar-se com o que os medíocres irão pensar.






O FINAL DO MUNDO
“Hoje a frase "o mundo vai acabar" virou chacota, mas até ontem, um verdadeiro êxodo aconteceu em várias cidades entituladas "à prova de apocalipse", provando que um número expressivo de pessoas acreditava na profecia Maia do fim do mundo. A brincadeira do "eu sobrevivi", é uma outra forma de falar "eu sabia que isso não aconteceria", mas, com um ar de alívio. É fácil falar os números da mega sena depois de seu sorteio, afinal "conhecer o futuro" não é uma questão de saber "o que irá acontecer", mas "quando irá acontecer". Os números jogados hoje, um dia serão sorteados, o mundo um dia irá acabar, mas, eu espero que todos estejam preparados. Hoje não.”


ÚLTIMA HORA
“Todo sábado é assim ( Lembrou da música de José Augusto, né?). O dia amanheceu calmo, sem aquele barulho ensurdecedor de buzinas frenéticas, apenas o canto dos pássaros urbanos e o delicioso cheiro de café fresco, que anunciam mais um dia de paz e tranqüilidade. Enquanto deslizava a manteiga no pão crocante e ainda quente, olhei tranqüilamente para o calendário da cozinha e me dei conta de que não tinha comprado os presentes de Natal.

Quando imaginei a cara de tristeza da minha esposa e filhos, se eu usasse aquela desculpa esfarrapada "desculpe, mas não tive tempo de comprar seu presente", foi o suficiente para tirar a minha paz e tranqüilidade. Cadê a chave do carro? Onde coloquei a minha carteira? Por que tem tanto carro nesse condomínio? Por que o sinal demora tanto para abrir? Por que é tão difícil achar vaga para o carro? Por que tem tanta gente na rua? O que será que eles querem ganhar? Por que as lojas estão tão cheias? Por que paguei tão caro? Por que estou tão cansado? Por que o sábado acabou tão rápido? Por que o dia não acabou como começou? Tantas perguntas e somente uma resposta. Foi porque eu deixei as compras para a última hora.”


GRATIDÃO PELO TRABALHO
“Eu trabalho no comércio varejista, e em todo ano, somente um domingo abrimos a loja, o que antecede o Natal. Neste dia, dividimos espaço com barracas, tendas, bancas, lonas estiradas no chão e vendedores ambulantes que ganham a vida na feira de domingo. "Camisa é dez, camisa é dez, camisa é dez" , "moça bonita não paga, mas também não leva" , "mexe, mexe, que eu tô vendo", e todo tipo de propaganda que ajuda a vender mais. Cheguei mais cedo para pedir para não ocuparem a frente da loja, e vi o trabalho que eles têm para montarem suas estruturas de venda, o sol quente queimava até em baixo da lona, para ir ao banheiro eles pedem para alguém vigiar seus produtos e contam com os banheiros lotados de um dia de movimento agitado. Não demorou muito e as nuvens carregadas despejaram o maior toró, foi um corre-corre para arrumar tudo, mas logo passou e a rotina de venda voltou ao normal e se estendeu até o final da tarde. Quando o ritual de recolhimento das mercadorias é praticado pelos corpos moídos de face carregada de cansaço o resultado é contabilizado com a esperança de sobrar algum dinheiro. Desde o dia que é confirmada a abertura até a manhã em que abrimos a loja reclamamos por ter que trabalhar neste dia atípico, mas quando nos deparamos com a realidade desses verdadeiros guerreiros, agradecemos a Deus pelo emprego garantido, pelo ar condicionado, pela água gelada à vontade, pelo banheiro limpo sempre disponível e pela carteira assinada. Murmuramos quando desconhecemos a realidade alheia, mas agradecemos quando abrimos os olhos antes fechados pela ignorância.”


“How, how, how. Feliz Natal!
Já dizia o bom velhinho
Mas como fé não faz mal
Eu digo, já nasceu Jesus menino.”

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