segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Qual é a sua prioridade?

    Chang Sun era um jovem chinês magricela , não por falta de comida, mas por falta de tempo para se alimentar corretamente. Dono de olhos negros como uma noite sem estrelas que não piscavam quando miravam seus objetivos. Seus cabelos cortados com máquina 01 deixavam claro que ele não queria atrasar-se para os compromissos por causa de penteados. Suas roupas já desgastadas pelo tempo, davam testemunho de que vestir-se bem para promover-se não era a sua prioridade. Seus calçados gastos, já eram presentes usados de um primo mais abastado que possuía dois pares, foi o seu primeiro tênis de marcas (marcas do tempo,manchado, furado, fedorento). Suas mãos calejadas eram provas de que ele não media esforços para cuidar de seus 2 irmãos menores Pang de 8 anos e Tai de 10 anos, inteiramente dependentes dos cuidados de Chang. Desde cedo seus pais o ensinaram a cuidar dos demais irmãos, pois saíam às 4:00 am para a lavoura que não ficava perto de casa e até às 13:00  trabalhavam para trazer o suficiente para aliementar a família inteira (pai, mãe e três filhos) e vender em sua pequena quitanda. Sua rotina começava às 5:00 preparando o lanche das crianças para levarem para a escola, antes de acordá-los a roupa já precisava estar preparada, limpa e passada a ferro de brasas. Como com toda criança, a tarefa de acordar cedo é dificílima com choramingos daqui e cochilos dali, mas na hora certa todos estavam na porta da escola que ficava perto sua casa, bem do outro lado do rio, bastava atravessar a estreita ponte de madeira verde. Como todos o dias, ao final da aula, Chang os levava de volta para esperar seus pais chegarem às 14:00, e corria para apanhar o ônibus que passava pontualmente às 13:00 e o levava para o único emprego disponível em sua cidade, o de carregar caixas no mercado central. Com o seu salário financiava seus estudos e assim garantia o seu passaporte para um futuro próspero com o qual sonhava para si e para sua família, principalmente para Tai, o irmão que sonhava ser como Chang, inteligente, determinado, organizado, esforçado... Mas, um dia, depois de toda árdua rotina o irmão exemplar deixou as crianças em casa e correu para esperar o ônibus, enquanto esperava ouviu gritos de socorro e imaginou:
 _Alguém caiu no rio, mas estou ocupado demais esperando o ônibus e não posso me atrasar, não irei nem olhar para o rio para não ver quem é, alguém irá ajudar, eu estou muito ocupado.
Depois de falar isso, veio o ônibus e entrou sem olhar para trás, enquanto todos olhavam e perguntavam o que tinha acontecido, pois entendiam que o valor de uma vida é muito mais importante do que qualquer outro compromisso. Ao retornar à noite, percebeu que havia uma multidão em sua casa e seus pais e seu irmão Pang choravam sem parar. Preocupado perguntou o que acontecera e num misto de palavras e choro seus pais inconsoláveis contaram que logo depois que Chang atravessou a ponte, seu irmão Tai foi até a mesma perigosa ponte para acenando despedir-se do irmão cuidador, mas escorregou e caiu nas águas do rio. Durante alguns minutos ele gritou pedindo socorro, mas todos estavam ocupados com seus afazeres que não  quiseram ajudar. Foi quando Chang se lembrou do pedido de socorro que ouviu enquanto esperava o ônibus. Era o seu amado irmão que agonizava desesperado por uma boa alma que deixasse de lado por alguns minutos seus compromissos e o ajudasse a lutar pela vida, mas ninguém ajudou. Chang se arrependeu profundamente por não ter ajudado a alguém que pedia socorro, mas já era tarde para isso, esse alguém já estava morto, esse alguém era a pessoa por quem ele fazia todo aquele esforço,seu irmãozinho Tai.
    Enfim, devemos priorizar o que é realmente importante para nós, motivos pelo qual estejamos dispostos a dar a vida, pais, filhos, avós, pessoas que amamos e por quem somos amados. Não espere perder para valorizar, valorize para não perder. Ainda que faltem, a satisfação de ter feito tudo por elas irá te consolar profundamente.

2 comentários:

  1. Instrutivo.As vezes quem grita por socorro é a nossa vida.
    Fabi Soares

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    1. Estamos tão ocupados ouvindo as vozes das pessoas que nos fazem mal que as vezes não conseguimos ouvir a nossa própria voz que grita por atenção. Quando esquecemos de nós mesmos, esquecemos também do próximo.
      Obrigado
      Fabi cronicando com Emerson.

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Obrigado por construir essa história comigo.