sábado, 10 de novembro de 2012

Família, onde tudo começa (Parte X)

Tudo na vida tem começo, meio e fim, menos o meu dinheiro que só tem começo e fim. Há muito tempo que não vejo o meio (O prazer de gastar dinheiro continua e prazeirosamente), começa no dia primeiro de cada mês e tem fim no dia dois, ou três quando o correio atrasa a entrega de alguma fatura. Meu tio dizia "dinheiro é igual a pé de cobra, quem vê morre", desde criança eu pensava que isso era mentira, mas estava enganado, quem vê o meu dinheiro "morre" de rir achando graça da piada que é o meu salário," morre" de pena achando que não conseguirei pagar as contas ou "morre" de inveja da minha inteligência na administração financeira, não devendo a ninguém, nem a você.
Existe um casal de amigos meus que passaram um aperto de grana há um tempo atrás, eu lembro porque perdi cem reais para o Alberto que estava em uma pindaíba danada. Foi quando a dona Joana ficou doente com pneumonia e o custo com o tratamento ficou mais caro do que o orçamento mensal.
_Beeeeetoooooo. Chamou dona Joana o marido desde quarto.
_Acabou a amoxilina amor, você pode buscar mais uma na farmácia?
_Sim minha vida.
Porém há meia hora atrás, ele tinha gasto os últimos vinte reais com frutas para a esposa e já não tinha mais dinheiro, mas não queria falar para a Jô, pois não queria preocupá-la. Depois de pensar alguns instantes, ele ligou para o seu melhor amigo e pediu o favor.
_Alô, Emerson, aqui é o Alberto. Tudo bem? posso te pedir um favor? É que a minha esposa está doente e as minhas reservas para despesas extras acabaram e só terei dinheiro no próximo mês quando receber o pagamento. Por acaso, você pode me emprestar cem reais? Eu preciso comprar remédios para ela.
A resposta foi positiva, afinal,o sr. Alberto é uma pessoa séria só está passando por uma dificuldade momentânea. Quando chegou na farmácia do sr. Rachid, perguntou pela amoxilina genérica, pois é mais barata, mas custava cento e cinco reais, com muita vergonha pediu um desconto, já que só possuía cem reais que pegara emprestado comigo minutos antes. Ao retornar para casa ele escutou o que temia.
_Betinho meu amor, venha cá.
_O que foi minha flor murcha, quer dizer, flor russa.
_Hum, seu bobo. Eu estou muito frágil, não brinque assim comigo senão eu posso choraaaaaaaaaaaaaaaaar.
Abriu a boca a chorar por sua fragilidade. Tentando aliviar a situação o marido disse:
_Diga o que você quiser e eu farei imediatamente.
_Tá bom.
Disse a esposa já esboçando um sorriso no rosto.
_Eu quero comer graviola.
_Nããããããããão!!!!
Repondeu negativamente por não poder comprar, mas novamente não quis falar com a Jô.
_Não, não está na época. Disse tentando disfarçar.
_Mas tem banana. Já sei Vou fazer uma banana caramelada pra você.
_Ótimo. Pode fazer. Ah, traga também um suco de abacaxi.
_Abacaxi não!!!
_ O quê???
_Abacaxi não tá maduro (isso porque o abacaxi tinha acabado no dia anterior), mas tem abacate, tudo começa com aba mesmo. Não é?
_Tudo bem. Ah, amor, traga uns biscoitos salgados, por favor.
_Hummmm amor, eu vi em uma reportagem que biscoitos salgados não ajudam na cicatrização dos alvéolos do pulmão (conversa dele, é que ele tinha comprado apenas biscoitos doces que eram sua preferência), mas ouvi dizendo que biscoitos doces são bons para o pulmão.
_Tudo bem, pode ser. Mas meu amor, pegue quinhentos reais em minha bolsa e compre o que esta faltando,  é muita coisa, e eu não quero que falte nada pra você.
Com uma cara de bobo por ter feito todo aquele malabarismo de pedidos em falta, descontos e empréstimos, ele se tranquilizou e conseguiu segurar as pontas até o pagamento. Como o mês seguinte também foi duro para o casal eu perdoei o empréstimo, afinal eles já tinham me ajudado outras vezes.
Aprendi algumas lições ao longo da minha vida e dos outros também, como por exemplo: ter sempre uma quantia em dinheiro reservada para eventualidades; pagar os empréstimos em dia para ter a conta sempre limpa; sempre pedir descontos e sempre perguntar a esposa se possui algum dinheiro extra.
Enfim, vivemos em um pais onde sempre que há um aperto governamental os contribuintes são prejudicados com aumento de impostos e juros, junto disso tudo aumenta de preço. É impossível estar sempre preparado, mas são nesses momentos que descobrimos os verdadeiros amigos. É na crise que se cresce, por isso encare os problemas com frieza e consciência para não aumentá-los em vez de resolvê-los. Evite pegar empréstimos com agiotas ou no banco se não puder pagar depois, os juros são altíssimos. Pague o cartão de crédito em dia, ou então negocie antes do vencimento. Evite usar o cheque especial por muitos dias, ele é emergencial. Procure os parentes, a família é sempre a mais indicada para ajudar, mas sem exploração hein. Por fim cantaremos assim "...muito dinheiro no bolso saúde para dar e vender."

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