A cidade de São Paulo tem sido alvo de ataques violentos aos cidadãos e a força policial nos últimos dias. As causas são as mais diversas, desde represália por parte do tráfico até a migração de pessoas de outros estados em busca de uma vida melhor, mas o mercado de trabalho não consegue acolher todos os desempregados. Como as necessidades de comida e bebida não cessam na falta de dinheiro, o jeito é optar pelo mercado negro do trabalho, que não quer saber se há experiência, nome limpo, carteira de trabalho ou sequer oferece direitos trabalhistas. Esse tal "crime organizado" , que o governo insiste em negar, então vamos chamar de "crime desorganizado", escolheu o período de transição de governo para atacar e mostrar a sua força, já que o antigo já não está tão interessado em se expor e o novo ainda não tomou posse, esse sim é "crime é organizado". O que fazer então? Vamos no encarcerar dentro de casa? Vamos deixar de viver? Não! Vamos aprender com a situação à seguir.
Todos os sábados à tarde, o nosso casal de amigos vai passear no Parque Ibirapuera. Desde a sua inauguração em 21 de agosto de 1954, o terceiro maior parque da São Paulo oferece um ambiente sadio e agradável para as famílias se confraternizarem. Nesse último sábado eles foram de ônibus relembrando os velhos tempos quando não tinham dinheiro para almoçar em restaurantes, então levavam sanduíches para o parque e comiam debaixo das árvores enquanto viam as crianças correndo e se divertindo. Logo que pagaram a passagem e passaram pela roleta, carregando uma pequena bolsa térmica com sanduíches e sucos, perceberam que a viajem seria longa, pois não havia mais poltronas disponíveis. Não demorou muito e um casal, provavelmente de namorados, ofereceram-lhes seus lugares embora o sr. Alberto dissesse que não precisava, constrangidos, porém satisfeitos, sentaram e pediram para segurar as bolsas dos jovens, que hesitantes entregaram. Dois quarteirões a frente subiram dois rapazes com aspecto sinistro, olhando a sua volta a todo instante e suando muito, um ficou próximo ao cobrador e o outro caminhou em direção ao motorista, nesse momento a dona Joana percebeu uma arma debaixo da blusa de um dos rapazes e disse:
_Alberto Vasconcelos, temos que descer agora.
_O que? Mas...
Interrompendo e já se levantando disse:
_Sem mas, vamos descer.
O casal que lhe dera o lugar estava olhando já assustados.
_Vocês também vão descer agora.
Sem entender e desconfiados disseram :
_Mas o nosso ponto não é esse.
_O meu também não, mas vocês precisam descer agora. Além do mais as suas bolsas estão comigo, então desçam para pegar.
_Senhora, senhora.
Disseram seguindo a dona Joana em direção a porta de saída.
O seu Alberto não perguntou mais nada, apenas obedeceu, porque sabia que quando ela o chamava pelo nome completo era sério, muito sério, e desceu logo atrás.
Depois de descerem dois pontos antes do parque, a dona Joana começou a tremer e pediu para o marido comprar uma garrafa da água pois estava muito nervosa. O rapaz confuso perguntou:
_Está tudo bem com a senhora? Por favor me explique porque eu não estou entendendo nada. Ah. E pode me dar a minha bolsa agora. (Pegou a bolsa com rapidez como se tivesse algo de muito importante)
_Desculpe meu jovem, mas aqueles rapazes que subiram na parada anterior estavam muito nervosos e eu vi que um deles estava armado, então eu decidi avisar vocês e descer.
_Obrigado senhora. Mas será que eles iriam assaltar mesmo? Afinal existe tanta gente esquisita por aqui. Mas tudo bem, já descemos mesmo. Aliás, esse ponto está muito deserto, vamos caminhar até o próximo que costuma ter mais gente.Disse o rapaz preocupado e segurando a bolsa com muita força.
Chegando no próximo ponto, perceberam que o ônibus que eles estavam, permanecia parado enquanto umas pessoas saíam nervosas e outras até chorando. Então eles perguntaram o que tinha acontecido.
_O que aconteceu?
_Dois rapazes acabaram de assaltar o ônibus e levaram tudo mesmo, até o tênis daqueles rapaz, achando que estava escondendo dinheiro, graças à Deus não machucaram ninguém, mas o trauma é pior do que um soco, pois nunca passa a dor.Eles desceram e entraram em um carro que estava seguindo o ônibus, eles nunca agem sozinhos, ainda bem que ninguém reagiu.
Com os olhos arregalados olhavam uns para os outros sem palavras. O silêncio foi quebrado quando a namorada do rapaz disse:
_O parque fica no próximo ponto. Podemos caminhar com vocês até lá?
_Sim é claro, será um prazer. Afinal, aqui está a maior confusão.
No caminho a moça com lágrimas nos olhos começou a falar:
_Não sabemos como agradecer o que vocês acabaram de fazer conosco mesmo sem nos conhecer. Nós estamos indo agora pagar o sinal da compra da nossa casa, pois vamos casar no final do ano. Esse dinheiro estava sendo economizado há cinco anos quando começamos a namorar, todo dinheiro que sobrava depois de pagarmos as contas colocávamos na poupança. Nos privamos de muita coisa, fizemos muitas horas extras e conseguimos juntar Dez mil reais. Enfim chegou o grande dia e íamos agora fazer o contrato de compra, aliás, íamos não,VAMOS, graças a vocês. MUITO OBRIGADO.
Abraçaram-se, choraram (menos o seu Alberto) e foram conversando até o parque. Ali nasceu uma linda amizade.Depois de trocarem números de telefone, foi cada um para o seu destino.
_O que é isso Beto no seu olho?
_Nada foi um cisco.
É assim mesmo, a miséria toma conta do bolso e da alma, e as pessoas se deixam levar pela forma mais perigosa, preguiçosa, mesquinha e burra de ganhar dinheiro, roubando. Trabalhar seria muito mais seguro, nobre, regozijador e inteligente. Mas enquanto eles não aprendem isso, vale a pena ficar atendo em motocicletas seguindo o carro, pessoas muito nervosas e com volumes na cintura, desconhecidos fazendo muitas perguntas de assuntos particulares, ligações de supostas instituições financeiras pedindo informações particulares como número de documentos, senhas ou dados pessoais. Cuidado com tudo que foge ao normal e cotidiano. Nunca reaja e sempre que puder ajude a alguém desprevenido.
Enfim, sempre teremos momentos de instabilidade social e pessoas desesperadas tentando levar vantagem sobre almas ingênuas, humildes ou distraídas. Isso nunca acabará. Mas você pode começar a ler mais sobre a situação do seu bairro, ensinar seus filhos a se prevenirem, evitar áreas de risco e denunciar situações suspeitas (amanhã você poderá ser vítima também). Não desista do seu bairro, mas ajude pedindo providências ao vereador eleito, exija uma ação mais eficaz da polícia e incentive seus vizinhos a agirem da mesma forma.Não desista mesmo. PAZ!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por construir essa história comigo.