Vocês lembram do prédio que caiu no centro do Rio em janeiro? Pois bem, no dia vinte e cinco de janeiro do ano corrente, dois prédios, um de dez e outro de dezoito andares, desabaram no Rio de Janeiro. Testemunhas disseram que ouviram uma explosão e em seguida aconteceu o desabamento. No dia quinze de maio deste ano, a fachada de um sobrado na Rua do Lavradio desabou, entre outras construções que desabam, matam, mas ninguém fica sabendo, porque não é divulgado em grandes meios de comunicação.
Há seis meses, fiz obras no meu apartamento que fica no décimo andar de um prédio de dezessete andares. A primeira recomendação que recebi foi da minha síndica, questionando de forma muito elegante se eu estava quebrando alguma parede ou outra estrutura essencial do prédio, e sem peso na consciência expliquei que as obras eram apenas estéticas, portanto não mexeria com qualquer estrutura do local que me abrigaria. Essa preocupação não é demasiada. Sempre que vamos fazer obras seja em casa, no apartamento ou no botequim, precisamos de uma orientação profissional para não colocar em risco a segurança das pessoas que amamos e a nossa também. Cuidado, senão você ouvirá da sua esposa isso:
_Eu não disse que isso não ia dar certo? E agora, o que você vai fazer?
Coçou a cabeça o sr. Alberto olhando para a m... que tinha feito, pensando porque eu não dei ouvidos a Jô quando ela disse que eu tinha que ter chamado um profissional.
Vamos voltar um pouco no tempo para ver o que aconteceu e se poderia ser evitado.
É domingo, chove muito em São Paulo.A todo momento os meios de comunicação relatam alagamentos, mas o nosso casal preferido está tranquilo, porque a sua casa fica no alto onde as águas da enchente não podem chegar. De meia em meia hora o seu Alberto bate no peito e diz:
_Hah. Eu fui muito inteligente mesmo quando construí a minha casa no alto. Viu mulher, você foi privilegiada em se casar comigo. Afinal, você ficou apaixonada por mim desde a primeira olhada. Hehehehe.
_Deixa de ser bobo homem. Foi você quem ficou apaixonado, tanto que não sossegou até me roubar do dr. Rosner.
_É pode ser, mas o mais importante é que estamos secos aqui, enquanto toda cidade está encharcada. Acho até que eu deveria me candidatar a prefeito de São Paulo devido a minha inteligência em engenharia civil.
Estava o casal na sala assistindo televisão e preocupados com seus filhos Cacau e Bia, quando perceberam uma goteira muito tímida na varanda, saindo para averiguar, perceberam que a calha que recebia as águas das chuvas estava entupida. Sabiamente disse a dona Jô:
_Já sei o que você está pensando seu velho metido a faz tudo, mas dessa vez nem pensar. Já chega aquela vez que você furou o cano do banheiro tentando colocar a saboneteira e tivemos que tomar banho de balde por uma semana.
_O que que é isso mulher? É só pegar a escada e meter o vergalhão no tubo que irá desentupir fácil, fácil. Quer ver só?
Saiu o sr. Alberto como se fosse bombeiro desde criancinha, sem dar ouvidos a sua mulher.
_Isso não vai dar certo, depois não diga que eu não avisei: chame um profissional para resolver isso.
Enquanto dona Joana falava vinha o seu Beto com escada, vergalhão, luvas de couro e capacete.
_Mas o que é isso? Vai ajudar nas enchentes da cidade inteira?
_Não. É que, quanto eu faço algo gosto de fazer bem feito.
_Tudo bem. Nesse caso vou sair para não te atrapalhar.
O sr. Alberto abriu a escada, pôs o capacete, vestiu as luvas, pegou o vergalhão e subiu na escada. Posicionou a vara de ferro no tubo e mandou ver. Na primeira estucada ele ouviu um barulho estranho de coisa quebrando, quando tentou retirar o vergalhão esbarrou na samambaia da sua esposa derrubando-a no chão, quando puxou a vara de ferro acertou o vidro da janela da sala quebrando-o na hora, a raiva foi tão grande que ao retirar o vergalhão derrubou todo sistema que recebia a água da chuva permitindo que toda água que descia do telhado caísse na varanda e entrasse pela casa adentro como em uma enxurrada.
Dona Jô foi até a sala, olhou o estrago, balançou a cabeça e disse:
_ Pois é, prefeito de São Paulo, sua inteligência é tão grande que não cabe na sua cabeça.
Cada profissional em sua atividade, é o que eu sempre digo. Não tente resolver situações em que seu conhecimento tenha restrições quanto as manhas de profissão, por exemplo, se fosse um profissional fazendo o trabalho do sr. Alberto, certamente teria mais cuidado ao forçar uma estrutura castigada pelo tempo. Ainda que custe mais caro consultar uma pessoa conhecedora do assunto, vale apena, porque, sairá mais barato do que refazer toda a estrutura danificada pela imperícia.
Enfim, o risco de acidentes, o custo com reparo de danos por falta de prática, o tempo total gasto para a solução do problema, não valem em nome de uma falsa economia. Tenha telefones de profissionais na área de alvenaria, marcenaria, serralheria, vidraçaria, entre outros de sua confiança. Problemas como atraso, aumento no orçamento, adiantamentos fora de hora para cobrir despesas extras, podem acontecer, cabe a você controlar para não sair do controle. Seja amigo das pessoas que te prestam serviço sabendo que eles também precisam prestar contas. Boa obra.
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